Alexandre Silveira está enfrentando um cenário diferente daquele que marcou boa parte de sua passagem pelo MME. Em pautas estratégicas da pasta, o ministro tem enfrentado cada vez mais resistência de outros núcleos do governo.
O sinal mais recente veio na legislação dos minerais críticos. O MME perdeu a disputa pelo comando executivo do novo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, cuja secretaria ficará com o MDIC. A decisão esvazia a centralidade que MME buscava na pauta. No Redata, o cenário se repete.
Apesar da defesa explícita do MME pela inclusão do gás natural como fonte de baixa emissão, a Fazenda trabalha por critérios mais restritivos para impedir o gás, uma disputa que Silveira certamente perderá.
Outro teste delicado está no gas release, uma das principais bandeiras de Silveira para ampliar a concorrência no mercado de gás. A Petrobras, sob Magda Chambriard, escalou a oposição ao programa e levou a discussão para dentro do governo. Reunião coordenada pela Casa Civil reuniu Petrobras, Fazenda, Planejamento e MME, sendo Minas e Energia, segundo relatos, a única pasta claramente favorável à manutenção do desenho. No mercado, já existe receio de uma intervenção política capaz de esvaziar ou retardar a iniciativa da ANP.
Silveira, aos poucos, percebe que já não tem mais o status de “super ministro”, que resistiu até mesmo ao ímpeto de Davi Alcolumbre, que em outro momento já pediu sua cabeça. A pergunta agora é até onde essa perda de centralidade chegará, sobretudo diante da possibilidade de um novo governo Lula.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Renato Araújo, Câmara dos Deputados


