Há duas semanas, o presidente Lula disse a aliados, segundo a imprensa, que iria “fazer o diabo” para ganhar as eleições. E ontem ele abriu a porta para o diabo atuar.
Ao anunciar um reajuste de 15% no Bolsa Família, o ministro Bruno Moretti dá vazão ao desejo do chefe e tira do PT a crítica a Jair Bolsonaro que, em 2022, utilizou da mesma fórmula para alavancar sua candidatura à reeleição.
Lula encontra-se, no momento, no corner do ringue e as pesquisas mostram que ele começa a desfalecer. Fórmulas testadas – defesa da soberania, críticas à ligação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, imagens de pessoas catando ossos – não surtiram o efeito, e o presidente está convencido de que só dinheiro no bolso do eleitor pode lhe ajudar.
O aumento no Bolsa Família mira, sobretudo, eleitores do Nordeste que, segundo levantamentos, têm trocado de candidato. Além disso, a imprensa informa que está em estudo um novo Desenrola.
O uso da máquina por incumbentes para vencer as eleições é um clássico na política brasileira e, com uma desaprovação vistosa, Lula vale-se da mesma fórmula que criticava em oponentes. O problema é que não há certeza do resultado eleitoral esperado com a medida.
Independentemente de quem vencer, a despesa de R$ 27 bilhões no ano que vem terá que ser paga.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Evaristo Sá, AFP


