A bancada ruralista pretende se reunir nos próximos dias com Hugo Motta para pressionar pela votação célere do PL 2122/23, da renegociação da dívida dos produtores rurais. Após as alterações no texto pelos senadores, a Câmara poderá agora referendar as mudanças ou retomar a versão que os deputados aprovaram.
A reanálise do projeto não está prevista para esta semana, uma vez que a pauta já foi anunciada, mas se os ânimos de Motta mudarem – após o vídeo de Lula dando apoio à reeleição de Veneziano Vital do Rêgo ao Senado pela Paraíba –, o PL poderá andar mais rápido do que o governo gostaria.
Líderes ruralistas sentiram o impacto da repercussão negativa da “pauta-bomba” e rebatem os números do governo, alegando que os valores serão muito menores porque nem todos serão elegíveis para a renegociação – R$ 5 bi no primeiro ano, estimam. Parlamentares destacam que a renegociação não será para todos os pequenos agricultores endividados (vai depender de quantos solicitarão), que há critérios a serem seguidos (dívidas de fevereiro de 2024 até hoje, abrangendo quem perdeu 30% da safra duas vezes neste período), que é uma proposta autorizativa (e não obrigatória), que não afeta o Orçamento Federal porque os recursos virão de fundos constitucionais (ou seja, o “rombo orçamentário” seria uma “narrativa mentirosa”), que os riscos são das instituições financeiras e que não atender ao setor é colocar em risco a segurança alimentar por causa do endividamento crescente dos produtores.
Os líderes se dizem abertos ao diálogo com o Executivo e afirmam ter dificuldades em acreditar que, em pleno ano eleitoral, o governo Lula vá para o enfrentamento com o setor.
Pré-candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, anunciou que o esforço será retomar o texto com ajuda apenas aos produtores de seu Estado.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Marina Ramos, Câmara dos Deputados


