As revelações da suposta advocacia administrativa do ministro Alexandre de Moraes em favor de Daniel Vorcaro, expostas por André Mendonça, foram interpretadas por políticos experientes como uma provável reação antecipada a algum movimento de Moraes que estava prestes a acontecer e que prejudicaria o bolsonarismo.
Na base governista, a percepção é de que o relator dos casos Master e INSS se mostrou um “soldado” da causa bolsonarista, disposto a tudo para impedir a reeleição do presidente Lula. Se antes atribuía-se o vazamento das investigações sobre Lulinha à oposição que teve acesso aos documentos da CPMI do INSS, a série de revelações divulgadas sobre o lobby fracassado do filho de Lula no governo indicam que as informações teriam saído do gabinete de Mendonça, apostam os governistas. O maior indicativo, comentam, é que nada sobre o Dark Horse andou e nenhum fato novo sobre Flávio Bolsonaro vazou no mesmo volume que o caso Lulinha.
Nos últimos dias, circulou na Esplanada a informação de que Mendonça estava prestes a prender Lulinha e destituir Andrei Rodrigues da direção da PF.
Ontem, a oposição enalteceu o trabalho de Mendonça (o ministro “perseguido” e “que faz um trabalho solitário no STF”), pediu o afastamento de Moraes, do PGR (Paulo Gonet) e a demissão Rodrigues por suposta “obstrução de Justiça”.
Em paralelo, um presidente de uma sigla do Centrão foi escalado por Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União) para prestar solidariedade a Moraes e avisar que estão “à disposição” do ministro. Fontes disseram que Hugo Motta também ligou para prestar apoio.
A previsão em Brasília é que o pleno do STF vai respaldar Moraes em nome da autopreservação e que Mendonça ficará isolado por ter entrado de sola na briga eleitoral.
Fontes próximas de Moraes avaliam que o ministro não deixará a Corte e que as investigações caminham para a nulidade.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Luiz Silveira/STF


