O presidente do Congresso decidiu cancelar a sessão de análise de vetos presidenciais ontem, alegando oficialmente a falta de acordo, o baixo quórum e a necessidade de colocar em pauta o que realmente for relevante.
Com a tendência de esvaziamento do Parlamento nas próximas semanas até o início do recesso, a promessa de Davi Alcolumbre de remarcar uma nova votação pode ser frustrada – a menos que o senador resolva “tratorar” e votar o que quiser, com quem estiver presente.
No pano de fundo do cancelamento está a operação contra o líder do governo, Jaques Wagner. Toda vez que um parlamentar relevante é alvo da Polícia Federal, ainda mais quando a investigação é ampla e envolve mais personagens de todos os espectros, a pergunta que não quer calar é “quem será o próximo” e o clima fica comprometido. Os discursos passam a ser cautelosos e as declarações públicas de Alcolumbre e do ministro da Fazenda, Dario Durigan, seguiram hoje a linha protocolar. O presidente do Congresso foi além: reforçou a narrativa da falta de acesso dos advogados às acusações, tema que no futuro tem potencial de anular as investigações do caso Master.
Unidos pelo passado vinculado a Daniel Vorcaro, PT, PL e Centrão observam – em estado de alerta – os alvos das investigações serem alvejados. Recentemente foi Flávio Bolsonaro, ontem foram Ciro Nogueira e Hugo Motta, hoje Jaques Wagner. Ninguém está a salvo.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


