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Alcolumbre prepara votação de mais uma pauta-bomba

Às vésperas de um possível encontro com o presidente Lula, Davi Alcolumbre colocou mais pressão sobre o governo: avisou que consultará os senadores para decidir sobre a votação da PEC que dá aposentadoria especial a agentes comunitários de saúde.
Em discurso ao plenário, contou que a Confederação Nacional dos Municípios informou sobre o impacto de R$ 69 bilhões da medida, mas que não será ele o responsável por atrapalhar a vida de 400 mil trabalhadores do setor.
Alcolumbre alegou que a matéria tramita no Congresso há seis anos – sendo oito meses no Senado – e que ninguém do governo alertou antes sobre a “pauta-bomba”. O presidente do Senado reclamou de ser acusado de promover a votação de matérias com grande impacto fiscal e que “não levará a culpa de todos os problemas”. Para se isentar da responsabilidade sobre a inclusão na pauta, o senador afirmou que vai procurar os mais de 60 colegas que assinaram a urgência da matéria.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, era o único aliado no plenário a ouvir Alcolumbre desafiar o Palácio do Planalto e não se pronunciou.
Randolfe passou o dia tratando de negociar a pauta de amanhã da sessão do Congresso. Até agora conseguiu retirar da programação o veto 42, do Marco Legal do Setor Elétrico.

Conversa com Lula – Enquanto aguarda a fatídica conversa com Lula após o retorno da França, Alcolumbre tem mais decisões a tomar que pode prejudicar – ou não – o governo.
O presidente do Congresso anunciou que fará hoje uma sessão de análise de 90 vetos presidenciais e 934 dispositivos pendentes de votação. O anúncio surpreendeu e líderes saíram do plenário na terça-feira sem saber o que pode entrar na pauta – que pode ser leve ou não para o Palácio do Planalto.
Alcolumbre também autorizou o início dos trabalhos da Comissão Mista de Orçamento. O deputado Domingos Neto (PSD/CE) tomou posse ontem como presidente da CMO, mas Alcolumbre ainda não escolheu os relatores da LDO e da LOA de 2027. Em suas mãos está a decisão de escolher os senadores, que podem ser governistas ou não.
O governo já deu sinalizações de que gostaria de encerrar o conflito com Alcolumbre. Ao retirar a retirada da urgência do PL 6×1 na Câmara, o Planalto optou por reduzir a pressão sobre o presidente do Senado em relação ao tema. A mudança de estratégia aconteceu a pedido de Hugo Motta, que vem atuando como ponte entre o Planalto e o senador.
A aposta do governo agora é que a PEC 6×1 vai andar, mas só depois que Lula e Alcolumbre discutirem a relação.

Equipe BAF – Direto de Brasília

Foto: Carlos Moura, Agência Senado

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