A operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, eleva o patamar das ações no caso Master. O que era dito nos corredores e insinuado em colunas de revista e jornal, agora ganha forma e corpo. E a tendência é que a cada dia o caso Master atinja políticos cada vez mais graúdos.
Na quarta-feira, Hugo Motta, que disse que só aceitou uma carona e o pagamento de diárias em um hotel de luxo por parte de Daniel Vorcaro, foi colocado em xeque ao ser confrontado com gravações dele pedindo liberação de empréstimos para a cunhada. A enteada de Wagner também foi beneficiada por recursos do ex-banqueiro.
O roteiro prevê que os próximos alvos da PF devem ser Rui Costa e Davi Alcolumbre. Com a polícia dentro do gabinete do líder do governo no Senado, ninguém mais vai poder usar a manjada muleta de “perseguição política”.
Lula, em busca da reeleição, vai querer afastar-se do olho do furacão. A lógica era Wagner pedir para deixar a liderança do governo. E, com base em acontecimentos pretéritos, Lula se afastaria do aliado e diria que todos têm direito à presunção de inocência, mas cada um que responda por seus BOs.
O caso Master aproxima-se cada vez mais da Lava Jato. Os desdobramentos políticos devem ser semelhantes. Já do ponto de vista jurídico, André Mendonça esforça-se para que seja diferente.
Desgaste deve aumentar – Wagner anunciou ontem à tarde que seguirá na função de líder do governo no Senado, para a frustração de quem via a necessidade de o senador evitar mais desgaste ao governo nas investigações do caso Master.
Em entrevista à Bandnews, o líder deu explicações rasas para as acusações, alegou que os dólares apreendidos são restos de diárias que recebia nas viagens representando o Senado, respondeu que orientou a bancada a votar contra a emenda Master e que o apartamento em questão era para sua filha, que a ideia era “recomprar” futuramente. Não explicou a razão de Augusto Lima reservar o apartamento para ele.
Wagner disse que tem o respaldo de Lula para seguir no cargo e que manterá sua candidatura à reeleição para o Senado.
Apesar da avaliação entre os governistas de que o impacto da operação sobre a candidatura de Lula será pequeno, a manutenção de Wagner no cargo impossibilita o governo de blindar o presidente e isolar o senador, deixando para ele a tarefa de se explicar. A decisão traz o problema para dentro do Palácio do Planalto, que terá de ficar defendendo seu líder a cada descoberta da PF.
A operação não foi uma surpresa porque já se falava das relações do PT da Bahia com o Master, o que coloca a expectativa agora sobre Rui Costa. Também há notícias de que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem envolvimento com Daniel Vorcaro.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Pedro França/Agência Senado

