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Um magistrado veio da política, a outra não

O bolsonarismo vem renovando as críticas ao modelo de prisão de Jair Bolsonaro comparando sua situação ao encarceramento de Lula em 2018.
Embora Bolsonaro esteja cumprindo prisão domiciliar, as medidas cautelares são mais restritivas – do ponto de visto ao acesso às pessoas – do que o imposto ao petista na prisão da PF em Curitiba.
A definição da forma como uma condenação será cumprida é sempre do juiz da execução penal, que impõe as medidas que achar cabíveis. No caso de Lula, a juíza Carolina Lebbos permitiu visita de políticos (além dos advogados), não se opôs que Lula se comunicasse com o exterior por meio de cartas e ainda liberou entrevistas. Carolina não era da política e concedeu a Lula o que os custodiados costumam ter direito.
Já Alexandre de Moraes, que começou sua carreira no Ministério Público, teve uma longa vivência política até se tornar ministro do STF. Foi filiado ao PSDB e ocupou secretarias nas gestões tucanas em São Paulo.
Embora não tenha disputado eleições, Moraes entende o jogo político, sabe o poder de influência eleitoral de Bolsonaro e, como punição adicional, estrategicamente tirou dele a comunicação com o mundo exterior ao proibir visitas de políticos e restringir o acesso até dos filhos. Na prática, anulou politicamente o ex-presidente.
O benefício da prisão domiciliar acabou tendo um preço alto para quem respira a política.

Equipe BAF – Direto de Brasília

Foto: Gustavo Moreno, STF

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