O ministro Alexandre de Moraes decidiu que não vai ser queimado em fogueira em praça pública e resolveu chutar o tabuleiro de xadrez para ver quem recua, quem avança e quem fica no mesmo lugar. O pedido de investigação sobre conduta supostamente de abuso de poder de André Mendonça deixa o ministro indicado por Jair Bolsonaro na defensiva, invertendo a posição no tabuleiro.
A crise subiu alguns degraus. Moraes foi ministro da Justiça, tem amigos na Polícia Federal e no mundo político do Centrão. Mendonça tem bolsonaristas ao seu lado, ainda não é acostumado aos meandros políticos da própria Corte e conta com a opinião pública a seu favor, mas essa não vota no STF. O presidente do STF, que não tem turma, encontra-se solitário para decidir.
Estrategicamente, em sua decisão, Moraes invoca outros atores que podem estar sob investigação de Mendonça, como Davi Alcolumbre e, de quebra, faz uma menção a Lulinha. A comparação com casos envolvendo Fux, Toffoli e Nunes Marques talvez demonstre que Moraes já não conta com os votos deles a seu favor. Se for esse o caso, a decisão de seu destino estaria nas mãos de Carmem Lúcia, caso Facchin decida não votar.
Se não amealhou mais aliados à sua causa, Moraes colocou na linha de tiro o próprio Mendonça, que já respondeu com igual calibre. Lula, que estava silente, usou a rede social para defender que todos sejam investigados.
A eleição tende a se resolver pelos lances que saírem do STF.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


