Não houve acordo com o governo e Davi Alcolumbre decidiu passar por cima das objeções da equipe econômica votando o projeto da renegociação da dívida dos produtores rurais. O presidente do Senado alegou que vinha postergando a apreciação, mas que cumpriria o compromisso firmado com os senadores – leia-se bancada ruralista.
A aprovação foi simbólica e teve o apoio, inclusive, de partidos da base aliada. O relator foi o governista Renan Calheiros, que tenta a reeleição em uma disputa acirrada em Alagoas.
Ele incorporou no texto uma emenda do PT que blinda recursos da educação no fundo social. No plenário, os apoiadores alegaram que nenhuma área será prejudicada e que o projeto permitirá agora que o fundo social seja usado também para agricultura. Alcolumbre pressionou o PT a desistir dos destaques.
A votação aconteceu num dia de derrotas para o governo nas comissões. Apesar do apelo do ministro Dario Durigan e do discurso de Alcolumbre no plenário no dia anterior rechaçando pautas-bomba (em especial de pisos salariais para as categorias), comissões da Casa foram na direção contrária. A Comissão de Assuntos Sociais aprovou o piso para médicos e a Comissão de Constituição e Justiça votou a proposta que cria aposentadoria especial para agentes de saúde.
Parlamentares e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, vieram ao plenário pressionar pela aprovação da renegociação. Os produtores rurais do Estado não superaram as dificuldades causadas pelas enchentes de 2024.
O projeto volta agora para a Câmara porque sofreu mudanças, mas lá a pauta está trancada e o governo não manifestou interesse, até agora, em destravá-la.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Carlos Moura, Agência Senado


