O otimismo em público não correspondeu à realidade e Jorge Messias foi derrotado por um placar amplo, com 42 votos não e apenas 34 a favor.
Davi Alcolumbre impôs uma derrota maiúscula ao governo. A questão agora é o futuro. Várias questões se abrem: Lula vai indicar outro nome (provavelmente não); vai arrumar um jeito de se vingar (provavelmente sim); sofreria outra derrota na amanhã seguinte com a análise dos vetos da Dosimetria (sim).
O fato do momento é uma vitória de Alcolumbre, que já prepara sua reeleição no ano que vem, ancorado na possível maioria que bolsonaristas devem fazer no Senado.
Porém, há mais um ator com poder na mesa: o próprio Supremo. Ministros já anteveem que Alcolumbre tomou um lado, e não foi o deles. E agora, precisam se reunir para atuar como instituição.
O problema é que a Corte está dividida e seu presidente não fala por todos – tanto que coube ao decano Gilmar Mendes sair em defesa dos seus nas várias entrevistas que concedeu na semana passada. Outro ponto: o Supremo passa a ser um dos principais pontos para a eleição de outubro. O que se espera, de agora em diante, é que o caso Master ganhe mais proporção e que Alcolumbre e outros parlamentares suspeitos ganhem mais holofotes e, talvez, a visita da Polícia Federal. É crise. E é grave.
Resposta ao governo e ao STF – Toda a oposição no Congresso – em especial da Câmara – compareceu à sessão do Senado que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF. O jogo já estava definido e era questão de poucos minutos para comemorar, afinal Davi Alcolumbre estava no comando da “derrota histórica”.
Horas antes da votação, a senadora Damares Alves disse que votar contra a indicação significaria mostrar qual instituição o Senado queria fortalecer. Ao fim da sessão, não havia dúvidas de que o objetivo de Alcolumbre foi derrotar o governo Lula e o STF e, de quebra, inverter a lógica da escolha presidencial.
O presidente do Senado trabalhou forte contra. Fontes ouvidas pelo BAF afirmam que uma das gotas d’água para o seu envolvimento foi a reação do STF ao relatório final da CPI do Crime Organizado e a ameaça de Gilmar Mendes a Alessandro Vieira.
Nunca houve um clima tão hostil à Corte no Senado. O problema não foi Messias em si, diz a oposição, foi o momento ruim. Ano eleitoral e a antecipação do pleito, insatisfação com ministros da Corte, negativa de Lula ao preferido de Alcolumbre e a campanha do ministro André Mendonça – desafeto de Alcolumbre – por Messias. Apesar de ter feito uma sabatina técnica e sem escorregadas, o AGU pagou o pato.
Em tom de resignação, o ministro José Guimarães e o próprio Messias se pronunciaram, com recados para os evangélicos, ao Centrão e ao presidente do Senado.
Parlamentares próximos de Alcolumbre dizem que antes das eleições, o Senado não votará indicação ao Supremo.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Reprodução UOL


