A Polícia Federal, com ordem do ministro André Mendonça, deu início a uma ação que desperta temores no mundo político de Brasília. A PF cumpriu ontem mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira. Mendonça também o proibiu de manter contato com outros investigados.
A medida fragiliza Ciro e, por extensão, seu poder para fechar alianças nos Estados e mesmo em nível nacional. O PP ainda não aderiu formalmente a Flávio Bolsonaro, mas caminhava para fazê-lo. Agora, Flávio terá que dosar esse apoio formal e eventual foto ao lado de Ciro, que passa a ser radioativo.
O que se espera é que Mendonça, que está isolado na Corte, ainda mais depois da rejeição do nome de Jorge Messias, acelere as investigações e exponha mais políticos – Antônio Rueda e Davi Alcolumbre? Muito provavelmente.
Por enquanto, a ação de ontem é boa notícia para a campanha de Lula, que poderá explorar a rejeição a Messias como um acordão do outro lado para livrar gente graúda das grades –mais ou menos como fez Geraldo Alckmin nas entrelinhas, em entrevista à GloboNews nesta semana.
Até outubro, o mote “Polícia Federal nas Ruas” pode fazer as campanhas penderem para um lado ou para o outro.
Flávio – O mundo político está em silêncio após a operação da Polícia Federal contra Ciro Nogueira e as revelações da natureza de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O silêncio não é por acaso e, nos bastidores, já se sabia que isso viria à tona a qualquer momento.
As investigações mostram uma rede de políticos que atuaram em linha com os interesses do Banco Master e que costumam atender aos pedidos do presidente do PP. O líder da bancada na Câmara, Dr. Luizinho (RJ), e o deputado Cláudio Cajado (BA) integram o núcleo que sempre atende às “missões” do senador. O último liderou uma articulação em setembro passado para votar um projeto que destitui diretores do Banco Central (PLP 39/21).
Ciro também apadrinhou a indicação de Jhonatan de Jesus para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União. Partiu do ministro a iniciativa de tentar reverter as ações do BC contra o Master.
Não há nada que ligue o senador Flávio Bolsonaro até agora, mas as investigações se aproximam de aliados, a começar por Ciro. O deputado Filipe Barros (PL/PR) apresentou emenda semelhante ao que Ciro propôs no Senado para atender ao Master. Barros é o candidato de Flávio ao Senado pelo Paraná.
Outro próximo de Flávio é o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que concedeu um empréstimo imobiliário ao senador em condições bem generosas.
Não se sabe ainda qual a disposição do ministro André Mendonça em preservar o filho 01 de Jair Bolsonaro caso as apurações tragam fatos novos.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress


