Davi Alcolumbre surpreendeu ontem ao negar recurso da base governista pedindo a anulação da votação da CPMI do INSS que quebrou os sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís, o Lulinha.
Com um parecer sustentado por técnicos da Casa, o presidente do Congresso disse que a suposta violação das normas durante a votação simbólica na sessão não se confirmava.
Alcolumbre não só validou a quebra dos sigilos como, simbolicamente, declarou guerra ao governo ao não poupar o filho do presidente da República. A oposição, que já fala em recorrer ao STF se Alcolumbre não prorrogar os trabalhos da comissão no fim do mês, viu na atitude uma esperança de que ele estenderá a vigência da CPMI.
Nos bastidores, aliados de Alcolumbre dizem que ele se comprometeu em prorrogar a comissão apenas uma vez, no ato de criação do colegiado. Alcolumbre – que vê as investigações da PF sobre o caso do Banco Master se aproximarem do Amapá – avisou à oposição que decidirá em breve.
“Nós nos curvamos”, resignou-se o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, no plenário.
Líder nega crise – Randolfe disse que não há crise entre governo e Alcolumbre. O líder do governo tratou de separar o episódio das indicações do Executivo para o Banco Central e STF, mas não explicou a razão pela qual os nomes ainda não foram formalizados. Segundo Randolfe, ainda falta uma conversa entre Lula e o presidente do Senado.
A decisão de Alcolumbre – classificada por Randolfe como posição de “magistrado” – acontece uma semana após ele se recusar a votar o projeto do Redata. O líder também minimizou o episódio, alegando que a recusa se deu em defesa do direito do Senado em não votar nada às pressas, como vem acontecendo.
Randolfe contou que ainda há dúvidas se a alternativa a MP do Redata será um PLP novo, um PLN ou o próprio projeto que saiu da Câmara, mas que a proposta será deliberada em breve.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados


