Diante da última rodada de pesquisas de popularidade e intenção de voto, o governo Lula chega ao divã em cenário adverso, sem estratégia definida sobre qual gestão “bem-sucedida” vai apresentar e sem controle da narrativa eleitoral, faltando sete meses para o pleito.
O escândalo do Banco Master e a inclusão de Fábio Luís, filho do presidente da República, nas investigações sobre as fraudes no INSS têm potencial de jogar Lula para a vala comum da corrupção, tendo ou não participação do PT. O histórico do Mensalão e da Lava Jato podem reforçar essa conexão na percepção do eleitorado.
O governo tem várias cartas na mão, como a possibilidade de reduzir juros do consignado e elevar a faixa do Minha Casa Minha Vida, mas há o risco do impulsionamento na popularidade ter efeito zero, como vem acontecendo com a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. Ainda que tenha a máquina, é difícil desconsiderar o cansaço da figura do petista e a busca pelo novo.
Já está dado que a disputa em outubro será apertada, porém os desdobramentos das investigações em ano eleitoral colocam a atual gestão federal mais à mercê da sorte do que da máquina pública.
Em situação adversa nas pesquisas, qualquer político costuma dizer que pesquisa é retrato do momento. No caso do PT, o discurso será de que Lula foi reeleito mesmo sob a sombra do Mensalão em 2006. Nada garante que o cenário de 20 anos atrás vai se repetir.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: ANSA/AFP


