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A segunda grande crise na campanha de Flávio Bolsonaro

Lula saiu – momentaneamente – de uma tempestade ao afastar Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, mas viu o adversário entrar na rota de uma tormenta inesperada. Com o vídeo de Michelle, o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro vive uma segunda grande crise difícil de contornar.
A ex-primeira-dama surpreendeu a campanha de Flávio Bolsonaro jogando no “ventilador” tudo o que estava engasgado há meses na garganta. A briga familiar colocou a madrasta em posição de vítima: a mulher – mãe de família, temente a Deus e esposa dedicada – que sofre com as tentativas de ser calada e subjugada pelo machismo dos enteados e do mundo político. O discurso cala fundo no eleitorado feminino, um grupo em que Flávio patina e que pode perder votos. O senador pediu desculpas, porém sem resposta até aqui.
Michelle ressuscitou um assunto que, para os aliados de Flávio, estava superado (o palanque no Ceará) e a expectativa agora é que o partido tente intervir. Michelle foi chamada no PL de “perigosa” e “desagregadora”.
Os aliados preveem que os filhos cobrarão do pai um posicionamento e a torcida na campanha é para que Bolsonaro apoie Flávio, colocando Michelle mais um vez “em seu lugar”.
O pré-candidato à Presidência mal saiu da tormenta causada pelo áudio pedindo dinheiro para Daniel Vorcaro – e vale lembrar que ele ainda não prestou contas dos gastos do filme Dark Horse, como prometido – para entrar no olho de um furacão chamado Michelle.

Apoiadoras – Michelle tentou colocar panos quentes ontem após a repercussão de seus vídeos expondo o embate com Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama afirma que não há raiva, briga ou competição e fala em trabalhar para derrotar o atual governo. Não foi o que lideranças do PL viram.
Fontes apontam a senadora Damares Alves (Republicanos/DF) e Priscila Costa, nome que Michelle pretende emplacar como candidata do PL ao Senado pelo Ceará, como coparticipantes do movimento da esposa de Jair Bolsonaro.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, não sabia da produção dos vídeos e ontem atuou como “bombeiro”. Valdemar deve se alinhar ao posicionamento que o ex-presidente tomar diante da crise.
O embate tende a exigir de Bolsonaro um posicionamento, justamente num momento em que a manutenção da prisão domiciliar está sob análise de Alexandre de Moraes e os médicos cogitam uma nova cirurgia para sanar as crises de soluço persistentes.
A essa altura, há quem avalie que até a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal pode ser reavaliada por Bolsonaro, mas só a própria e o filho 01 poderão ouvir isso dele. O ex-presidente nunca levou à sério lançá-la à Presidência da República e costumava dizer, segundo líderes do PL, que Michelle é “incontrolável”.

Equipe BAF – Direto de Brasília

Foto: Pedro França, Agência Senado

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