A menos de um mês das eleições, Lula decidiu reforçar a blindagem do consumidor contra a alta dos combustíveis. É uma pauta positiva diante dos acontecimentos dos últimos dias, em que o Planalto foi puxado para o centro da crise institucional envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes.
O governo anunciou a redução de R$ 0,63 por litro sobre a gasolina, zerou PIS/Cofins do etanol — efeito estimado de R$ 0,19 por litro — e criou uma nova subvenção inicial de R$ 1 por litro para o diesel, que mexe diretamente com os caminhoneiros. A justificativa econômica está dada: o brent voltou à casa dos US$ 100, pressionado pelo conflito no Oriente Médio, e mais de 25% do diesel consumido no país depende de importações.
O governo também abriu R$ 6,6 bilhões em crédito extraordinário para sustentar as subvenções, sendo R$ 5,6 bilhões destinados ao diesel.
Porém, o calendário dá às medidas um peso inevitavelmente eleitoral. Com Lula buscando a reeleição, segurar os preços nas semanas decisivas da campanha ajuda a evitar que o choque externo se transforme em inflação percebida diretamente pelo eleitor.
O efeito é temporário: a redução tributária sobre gasolina e etanol vale somente até 5 de outubro, justamente após o primeiro turno de uma eleição apertadíssima.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Washington Costa/MF


