A vitória de Lula no segundo turno das eleições, com mais de 3 pontos percentuais de vantagem, coloca o petista na história: único a vencer um segundo turno tendo sido derrotado no primeiro e o único presidente a ser eleito quatro vezes. Os festejos de ontem, no entanto, darão espaço hoje para a vida real.
Na reta final da campanha, o petista abriu os cofres e agora terá de correr atrás de verba para pagar as benesses. Lula também enfrentará um Congresso ainda mais hostil – deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) já escreveu em suas redes a intenção de impeachment.
Embora tenha muito tempo de vida política, Lula deverá ter um posicionamento semelhante a Jair Bolsonaro para poder tentar ter governança: abrir espaço para o Centrão. Nenhum dos partidos desse eixo lhe declarou apoio. No entanto, o PSD, que oficialmente ficou neutro, levará vantagem. Já o Lula presidente terá de repensar a forma de governar.
Neste terceiro mandato, embora tenha tido apoio de muitas figuras que não votavam no PT, ele fechou-se em si e administrou com a cabeça de 20 anos atrás. Agora, vendo a dificuldade que enfrentou, a questão é se estará disposto a mudar.
Além disso, terá de pensar em sua sucessão e, com isso, administrar os egos dos petistas. É muita mudança a ser feita. Porém, com essa vitória maiúscula, o risco é Lula acreditar que a conquista deveu-se exclusivamente a si próprio e à sua liderança. Nesse caso, a tentação de fazer mais do mesmo será gigante. E o resultado, nestes três anos, já se viu que não foi o melhor.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Ricardo Stuckert

