A decisão do ministro Alexandre de Moraes suspendendo as visitas de Flávio a Jair Bolsonaro por 90 dias, na prática, coloca a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na condição de porta-voz do marido. Quem passa todo o tempo e vive no mesmo ambiente que ele é a esposa, que servirá agora de emissária dos recados do ex-presidente e poderá repassar as demandas de fora para seu conhecimento.
O pedido original do deputado petista Lindbergh Farias pedia a revogação da prisão domiciliar, ou seja, num cálculo político, o ministro manteve Bolsonaro em casa, mas tratou de puni-lo com o afastamento temporário do filho candidato.
Não demorou muito para que os bolsonaristas se revoltassem com a decisão e colocassem o ex-presidente na condição de vítima de perseguição política. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio, classificou a medida de “autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável”.
Marinho lembrou que durante a prisão de Lula circularam cartas do petista e que não houve medidas desta proporção.
Femimismo à direita – Michelle mostrou que realmente sabe mais de política do que seus enteados poderiam imaginar.
A ex-primeira-dama abriu mão da presidência do PL Mulher após ser massacrada nas redes bolsonaristas pelo vídeo expondo a péssima relação com Flávio Bolsonaro, mas descobriu em seu gesto um nicho político que estava carente de representatividade: o feminismo de direita.
O “Imparáveis”, grupo criado sob a liderança de Michelle, representa as mulheres de um campo político conservador, que defendem algumas causas feministas, mas que rejeitam a liberdade sexual, a legalização do aborto e independência em relação ao homem – principalmente a financeira. São mulheres tementes a Deus, que valorizam a família, mas que, assim como na esquerda, pregam penas mais duras para a Lei Maria da Penha, reconhecem a existência de famílias geridas por mulheres – uma realidade comum na periferia, em especial entre as mulheres evangélicas – e que querem ser ouvidas na política.
Ao criar seu próprio movimento, Michelle – que dizia estar propensa a cuidar da casa e do marido – mostra que já entende bem do riscado e não pretende se recolher.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Reprodução

