A disputa sobre o lugar do gás natural no Redata saiu dos ministérios e chegou aos governadores. Fábio Mitidieri (PSD-SE) e Roberto Cidade (União-AM) enviaram ofícios a Lula para pedir que a regulamentação permita o uso regular do gás no suprimento de data centers.
Ambos rejeitam uma regra que restrinja a fonte a situações de emergência. Mitidieri foi direto ao ponto: Sergipe trabalha para atrair a sua ZPE um complexo de data centers com capacidade projetada de até 1 GW. O Estado aposta na geração termelétrica, no terminal de GNL e na futura produção de Sergipe Águas Profundas para viabilizar o projeto. Para o governador, limitar o gás a backup pode tirar do Estado sua principal vantagem nessa disputa por investimentos.
O Amazonas argumenta que uma regra desenhada em torno da infraestrutura já disponível nos grandes centros pode excluir Estados capazes de oferecer soluções energéticas próprias. Os dois governadores pediram a Lula que oriente Fazenda, MME e MDIC a preservar o gás entre as opções elegíveis e a ouvir os Estados antes da edição das normas.
O setor pretende pressionar para prevalecer no texto do decreto, caso contrário pode judicializar ou investir num projeto de decreto legislativo.
A entrada dos governadores muda o peso político do impasse. A resistência ao gás deixa de ser uma disputa apenas entre setores de energia e passa a ter uma consequência que o Planalto terá de administrar: por que um incentivo nacional à economia digital poderia limitar justamente os projetos que esses Estados tentam atrair?
Uma fonte afirmou ao BAF que pelo menos outros três Estados devem entrar na briga: Espírito Santo, Pernambuco e Alagoas.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: André Valentin


