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Pedido de vista sobre caso Moraes alonga sangria de Lula

No momento em que a sessão de análise do pedido de investigação contra Alexandre de Moraes começava a descambar para a agressão verbal, Flávio Dino cumpriu a expectativa de pedir vista e adiou a decisão do STF sobre o mérito do caso, para frustração da opinião pública.
Os ministros analisavam na tarde de ontem se deveriam manter separados a apreciação dos casos de Moraes e da acusação de abuso de autoridade por André Mendonça. Cármen Lúcia se alinhou a Edson Fachin – como se esperava – e o placar terminou com o empate sobre a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes.
Ainda que a ala pró-Moraes tenha apresentado argumentos jurídicos válidos questionando o procedimento contra o ministro, o resultado da sessão desta terça-feira é um desastre político para Lula. A atuação da ala próxima ao governo na defesa de Moraes reforça a percepção do eleitorado de que os aliados de Lula estão operando para salvar o ministro, que é acusado de advocacia administrativa. A campanha de Flávio Bolsonaro passou o dia reforçando a aliança entre o governo petista e Moraes e vai insistir na estratégia.
Nesta reta final da campanha, Lula passará os próximos dias tentando se desvencilhar da crise e não há estimativa de quando Dino vai devolver o processo para o plenário. O ministro pode segurar o pedido por 90 dias.
Cármen Lúcia, que é a fiel da balança, não adiantou se votará pela abertura de investigação formal contra Moraes. A ministra criticou a espetacularização da situação, falou em vergonha, mas avisou que “clamor público não vai influenciar” sua posição.

Mendonça isolado – A primeira parte da sessão foi marcada pela união do time de Moraes em plenário e Mendonça jogado à arena dos leões.
Relator do caso Master, Mendonça começou a sessão perdendo de cara um voto que estaria alinhado a ele: o de Kassio Nunes Marques. Dias Toffoli, como previsto, também se absteve de votar, mas permaneceu na sessão.
Numa operação casada entre Flávio Dino e Gilmar Mendes, a condução da análise foi contestada – desde o afastamento da direção da PF, a mudança de relatoria das investigações sobre Moraes, a participação de delegados no gabinete do relator até a intenção política por trás das decisões de Mendonça. Luiz Fux até ensaiou sair em defesa do afastamento de Andrei Rodrigues, mas não conseguiu ir além disso.
Coube ao decano disparar, sem medir as palavras, as acusações mais pesadas contra Mendonça: “Vazador Geral da República”, covarde, vil, responsável por criar o caos e jogar a opinião pública contra a Corte, além de aliado do grupo político que tentou dar um golpe de Estado. “O interesse é evidente”, disse Mendes.
Moraes mal precisou abrir a boca durante a manhã, tinha sua tropa de choque operante e com artilharia carregada. Cármen Lúcia e Cristiano Zanin não participaram das discussões na primeira parte da sessão.
O clima de beligerância entre os ministros nos bastidores veio à tona, assim como a intenção do grupo alinhado a Moares: levantar todos magistrados que tiveram relação com Daniel Vorcaro (e agora Kassio e Fux ficaram expostos), colocar todos no mesmo balaio de uma “sindicância” que vai se arrastar ao longo do tempo e, provavelmente, não dará em nada.

Equipe BAF – Direto de Brasília

Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil

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