Hugo Motta estava presidindo a sessão da Câmara quando recebeu a primeira notícia ruim do dia: que Alexandre de Moraes havia restabelecido parcialmente o decreto do IOF. Imediatamente deixou a sessão e seguiu para o plenário do Senado, oficialmente à título de prestigiar as pautas que estavam em votação naquela Casa.
O objetivo, no entanto, foi posar ao lado de Davi Alcolumbre e passar a imagem de união da cúpula do Congresso. Assim como Alcolumbre, adotou o silêncio e não autorizou a Câmara a divulgar nota oficial sobre a derrota no STF.
Governistas acreditam que o recesso ajudará a distensionar o clima e as retaliações já saíram nesta quarta-feira: a aprovação na Câmara do projeto que autoriza o uso de R$ 30 bi do Fundo Social do pré-sal para o agronegócio e a interrupção da votação no Senado da PEC 66/23 (precatórios), que teve só o 1º turno aprovado.
Sobre o veto ao projeto que aumenta o número de deputados, Motta avaliava que o presidente Lula não o sancionaria e tinha o apoio de Gleisi Hoffmann na empreitada. A percepção no entorno do presidente da Câmara é que o governo não precisava comprar mais esse desgaste com a Casa, que Lula ainda tem mais de um ano de governo pela frente – e ainda precisará do Congresso – e que jogar o projeto para promulgação poderia, no máximo, provocar uma insatisfação momentânea com a opinião pública.
Resta agora contar com os senadores para derrubar o veto, o que não será tão simples assim. Aliados de Motta apostam que os senadores da bancada do Nordeste vão se esforçar para a derrubada, em especial os da esquerda. Isso porque cinco Estados da região (incluindo a Paraíba de Motta, que terá dois a menos) perderão cadeiras, justamente numa eleição em que o bloco precisa ampliar o número de deputados para fazer frente à direita no Legislativo em 2027.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Jonas Pereira, Agência Senado


