Após semanas de tensionamento, clima de traição e desconfiança no ar, Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann se reuniram na terça-feira com Hugo Motta e Davi Alcolumbre num primeiro gesto de reaproximação. Fontes próximas de Motta dizem que o ambiente político está melhorando entre o governo e o Legislativo.
A conversa não teria sido direcionada para fechar acordo imediato em relação ao tema que colocou os Poderes em campos opostos no STF, mas reabrir o diálogo.
Um interlocutor de Motta diz que a reconciliação com o governo se daria de qualquer forma porque não compensa politicamente ao presidente da Câmara fechar as portas com o Palácio do Planalto faltando mais de um ano ainda para o fim da gestão petista.
Motta, ao virar alvo das críticas nas redes sociais, foi o mais exposto no episódio. Davi Alcolumbre não, muito pelo contrário, estaria próximo de ter suas demandas por cargos atendidas, dizem fontes.
Há quem sustente que o senador Ciro Nogueira foi personagem importante no convencimento de Motta a esticar a corda com o governo.
Congresso colaborativo – Pouco antes do encontro, Motta demonstrou preocupação com o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, a ser divulgado no dia 22 deste mês, e sinalizou que quer dar respostas positivas antes da data.
Os esforços efetivos para a votação do substitutivo de Arthur Lira para o projeto do IR antes do recesso dependem também da conversa com o presidente Lula, ainda pendente.
Motta disse que o avanço do projeto está atrelado ao que vai entrar no texto final como solução para os imbróglios fiscais (compensações para o IOF e para a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil). A avaliação é a mesma de líderes ouvidos pelo BAF.
O Congresso tem dado sinais ao governo de que pode colaborar, como fez na votação de MPs importantes e nos requerimentos de urgência para os projetos sobre as isenções fiscais. A próxima semana – a última antes das férias de julho – deve ser de esforço concentrado.
Nos próximos dias, Lira terá a missão de apresentar suas ideias “salvadoras” e conquistar apoios nas bancadas. O ex-presidente da Câmara ainda tem muito prestígio entre os pares, portanto o que ele oferecer como solução será levado em consideração pelos partidos.
Equipe BAF – Direto de Brasília
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