A reunião do presidente Lula com economistas de esquerda terminou ontem como se esperava: sem nenhuma decisão tomada sobre medidas econômicas para o quarto mandato, mas com o compromisso de cumprir as promessas de campanha e de dar sustentabilidade às contas públicas. O mandatário ouviu sugestões e diagnósticos, mas só deve bater o martelo depois da turnê internacional, que começa na semana que vem.
A ausência de Rafael Fonteles na discussão fortalece a leitura de que o governador do Piauí deve seguir onde está. O governador esteve com Lula anteontem, em longo encontro junto com o senador Camilo Santana.
Dos cotados para assumir a pasta na gestão Lula 4, participaram ontem o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin – nome que já tinha indicação para assumir a cadeira logo após o primeiro turno, quando Lula se viu em desvantagem em relação a Flávio Bolsonaro. Desde a vitória no segundo turno, o petista vem incluindo Alckmin em várias reuniões estratégicas dos mais variados assuntos.
Lula também vem se reunindo com bastante frequência com Durigan nos últimos dias e tem dado ao ministro da Fazenda a condição de único porta-voz da política econômica do governo, impedindo seu esvaziamento. Na tarde de ontem, só Durigan foi autorizado a falar sobre a reunião. Ele ressaltou que o compromisso com as contas públicas era do presidente e dele. Se o mantiver no cargo, não será uma surpresa, afinal o pacote a ser apresentado está sendo gestado pela atual equipe econômica – a quem cabe implementá-lo.
Por outro lado, caso Alckmin seja o escolhido para a missão, Lula fará um aceno ao mercado, mas deixará seu vice exposto às críticas do PT. Neste cenário, no entanto, Alckmin tende a acertar com o presidente de forma antecipada onde pode mexer e onde está vetado avançar.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Washington Costa, MF

