Em troca do andamento do projeto da anistia a Jair Bolsonaro, a oposição votou em peso para aprovar a PEC da Blindagem, um texto produzido pelo Centrão e que atende às necessidades de quem tem o pagamento de suas emendas sob o escrutínio do STF.
O ponto central do texto é o que dá ao Congresso poder de barrar processos criminais contra parlamentares na Justiça ao exigir que a autorização passe pela Câmara e pelo Senado em votação secreta – que dará aos parlamentares a possibilidade de livrar os colegas das ações judiciais, sem o risco de ter de se explicar ao eleitorado. O relator, Cláudio Cajado (PP/BA), incluiu no texto o foro especial para presidentes de partido no STF.
A PEC é um sonho antigo do Centrão que, ao ver o tema na lista de demandas do PL, não pensou duas vezes em embarcar na empreitada. No entanto, o bloco não tem nenhum compromisso de aprovação do mérito da anistia, cujo requerimento de urgência deve ser votado nesta quarta-feira. Há grandes chances de não se chegar a um consenso sobre o texto e os bolsonaristas ficarem sem sua principal bandeira.
Para garantir quórum suficiente para que a PEC fosse votada ontem, a presidência da Câmara liberou a votação remota. Antes da liberação, muitos deputados chegaram a marcar presença no plenário, mas deixaram a sessão para escapar da cena final da aprovação da PEC que vai repercutir na imprensa nos próximos dias.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Vinicius Loures, Câmara dos Deputados


