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Oposição desafia Motta e Alcolumbre e interdita trabalhos na Câmara e no Senado

O ato dos bolsonaristas de ocupar as mesas da Câmara e do Senado lembra a estratégia de protesto dos partidos de esquerda quando eram oposição. A diferença era que os protestos se davam com sessões abertas.

Os dois plenários e o auditório Petrônio Portela, no Senado, foram ocupados pelos bolsonaristas. Segundo o senador Rogério Marinho, só serão desocupados quando atenderem as demandas do bloco.

Marinho reclama que há duas semanas Davi Alcolumbre sequer responde às mensagens, mas agora terá de negociar. A oposição quer que a anistia e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes sejam decididos pelos parlamentares e não sejam temas interditados por Hugo Motta e Alcolumbre.

Na Câmara, os bolsonaristas acreditam que não serão retirados à força e que, em algum momento, terá de abrir diálogo.

A cúpula do Congresso resiste à pauta bolsonarista e manda recados de que não cederá a pressão. Motta cumpriu agenda ontem na Paraíba e Alcolumbre reuniu líderes para discutir alternativas. A preocupação do governo é votar a MP da isenção do IR até dois salários, que vence dia 11.

A oposição sozinha não tem forças para vencer uma obstrução em sessões abertas, então a estratégia usada foi não permitir sequer que elas sejam abertas. O desafio de Alcolumbre e Motta é, ao menos, colocar seus plenários para funcionar no retorno do recesso.

Pacote da paz – Como era de se esperar, os bolsonaristas anunciaram a obstrução dos trabalhos no Congresso até que seja votada a anistia a Jair Bolsonaro e que o impeachment de Alexandre e Moraes saia da gaveta.

O bloco incluiu na lista de reivindicações, chamado “Pacote de Paz”, a aprovação da PEC do fim do foro privilegiado e a votação no Senado das medidas cautelares impostas pelo STF ao senador Marcos do Val.

A novidade do pacote de pressão dos aliados de Bolsonaro é a promessa feita pelo vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL/RJ), de pautar a anistia na primeira oportunidade em que Hugo Mota se ausentar da presidência da Câmara, independentemente da anuência do titular do cargo. Nenhum antecessor de Côrtes na função teve a ousadia de colocar em votação qualquer proposta que não tenha o consentimento do presidente da Casa.

Para interlocutores de Motta, a promessa faz parte do jogo retórico do PL, o presidente da Casa não cederá à pressão e o tom pode ser lido como uma “declaração de guerra”, que só vai isolar de vez o grupo no Congresso.

Uma fonte lembra que não há votos no Centrão que garanta a aprovação da anistia e o bloco não ganharia nada beneficiando só o PL de Bolsonaro.

PP e União Brasil – Apesar da declaração do senador Ciro Nogueira de que PP e União Brasil vão aderir a obstrução na Câmara e no Senado, a medida vem sendo encarada – principalmente pelos deputados – como um pedido e não uma decisão tomada ainda.

A reunião desta manhã com Hugo Motta servirá, ao menos, para uma tentativa de acordo de procedimentos para que o plenário funcione plenamente. Os dois partidos são muito próximos a Motta e se juntar à oposição será  ruim para o presidente da Câmara.

Fonte do PP disse que o posicionamento do MDB, do Republicanos e do PSD será relevante para os demais partidos do Centrão confirmarem a obstrução com os bolsonaristas.

Equipe BAF – Direto de Brasília

Foto: Saulo Cruz, Agência Senado

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