O governo terá de se virar nas próximas semanas para conquistar ao menos 41 votos favoráveis a Jorge Messias como ministro do STF. A leitura da mensagem com a indicação será no dia 3 e a sabatina no dia 10 na CCJ (com votação no plenário no mesmo dia).
O presidente da comissão, Otto Alencar, poderia ter segurado a apreciação, mas preferiu não contrariar Davi Alcolumbre, mesmo porque a perspectiva de aprovação na CCJ é maior. Senadores consultados pelo BAF se disseram surpresos com o calendário curto e enxergam no movimento do presidente do Senado a tentativa de impor uma derrota acachapante ao governo.
O cenário é bem adverso para Messias: a percepção é de que ele teria o apoio de uma base aliada rachada e os votos contrários de toda a oposição. Um líder importante da oposição, no entanto, avalia que é possível que Messias tenha alguns votos entre eles, mas revelou que até agora não foram procurados.
Essa fonte, que é muito próxima de Alcolumbre, contou que é do interesse do governo liquidar o assunto neste ano porque a dificuldade será maior no ano que vem.
No Senado, está clara a predileção de Lula, assim como está evidente que, se Messias for rejeitado (como apostam os aliados de Alcolumbre), Rodrigo Pacheco não será indicado.
O presidente do Senado reforçou ontem que sua prerrogativa é pautar a indicação. E só. Jaques Wagner terá de gastar muita sola de sapato por Messias.
Os aliados de Alcolumbre disseram ao BAF que o rompimento com Wagner se deu porque ele teria descoberto o “jogo duplo” do petista, repassando ao Planalto a pressão do presidente do Senado por Pacheco. Não haveria, segundo fontes, uma segunda razão para a reação negativa de Alcolumbre.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Rosinei Coutinho/STF


