A Praça dos Três Poderes se prepara para uma mudança de agenda política nesta reta final do ano. Para o governo, a pauta econômica se tornará secundária diante da crise de segurança pública que se impôs após a ação policial no Rio.
Ainda que discussão sobre tarifa de energia, isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil, mais consultas e cirurgias eletivas no SUS, sejam de valor inestimável para a população, a insegurança é um tema que grita no cotidiano dos cidadãos e que todos têm uma opinião formada. A base da pirâmide não sabe o que é meta fiscal, ainda que sinta no futuro os efeitos do descalabro das contas públicas no bolso, mas sabe o que é viver refém do medo.
Como segurança pública não é o forte da esquerda, o governo Lula vai ter que suar a camisa e apresentar bons argumentos para convencer o eleitorado de que faz a sua parte. De olho nisso, o Palácio do Planalto apresentou o seu “pacote antifacção” e, com o empurrãozinho da crise fluminense, vai concentrar esforços na aprovação da PEC da Segurança Pública.
À vontade com a agenda, a oposição aposta no andamento do projeto que equipara facções criminosas a organizações terroristas e, sobretudo, na CPI do Crime Organizado. Diferentemente da CPMI do INSS, que não trouxe fatos novos até agora, a investigação sobre o crime organizado tende a deixar o governo mais atordoado.
Os trabalhos devem começar na próxima semana e, de acordo com o prazo regimental de 120 dias, vão se arrastar até o início do ano eleitoral, com chances de prorrogação por mais 60 dias ou até mais, à gosto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Sergio Lima


