Ao BAF, o presidente da Câmara sinalizou que sua prioridade agora é votar o projeto da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil.
Questionado se está mais fácil votar o PL do IR ou a anistia (chamada agora de PL da Dosimetria), Hugo Motta respondeu que o primeiro já tem data para votação – quarta-feira que vem – e o segundo ainda depende de conversas.
Após o desgaste da votação da PEC da Blindagem, Motta adotou uma agenda para dar “respostas positivas” à opinião pública: deu encaminhamento a punição aos invasores da Mesa da Câmara, negou a liderança da Minoria a Eduardo Bolsonaro e agora se “agarra” no IR. “É a janela para ele se redimir”, concluiu um líder governista.
Nessa toada, Motta votou ontem a MP dos Especialistas, pauta prioritária do Planalto.
Os governistas contam com a votação do IR na próxima semana e consideram blefe da oposição condicionar o IR à votação do PL da Dosimetria.
A percepção dos governistas é de que não haverá alterações sensíveis no texto de Arthur Lira.
Ontem, em caráter terminativo, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou sua versão de texto, nos moldes do que o governo encaminhou ao Congresso. O senador Renan Calheiros, relator do projeto no Senado, disse que dar andamento ao assunto na Casa é um gesto político para mostrar apoio à proposta do governo e acelerar a votação na Câmara.
Cenário do momento – O clima na noite de terça-feira na Câmara indicava maior probabilidade de enterrar o projeto da anistia (denominado recentemente de PL da Dosimetria) do que votá-lo no plenário da Casa.
O deputado Paulinho da Força (SD/SP) passou o dia se reunindo com as bancadas e, para deputados do Centrão, sem agradar ao PL e com a oposição ferrenha dos partidos de esquerda, não havia sentido levar adiante um projeto que só teria o apoio das legendas de centro, matematicamente falando. Os bolsonaristas insistem em anistia ampla, geral e irrestrita (de preferência derrubando a inelegibilidade de Jair Bolsonaro), enquanto o PT e seus aliados se recusam a votar qualquer redução de pena.
Apesar do resultado pouco alvissareiro das reuniões, Paulinho seguirá conversando com as siglas. Ontem teve reuniões com o PT, PSDB, União/PP e PDT.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados


