A ocupação do plenário da Câmara, por 30 horas, só desobstruída após intervenção de Arthur Lira, demonstrou que Hugo Motta ainda precisa se ancorar no poderoso aliado para ser ouvido.
Já tinha sido assim na crise do IOF, quando Lira interveio para baixar a temperatura, e agora novamente – a sessão de quarta-feira só foi reaberta após a intervenção do ex-presidente.
Bolsonaristas saíram dizendo que Motta se comprometeu a votar a anistia e a PEC do fim do foro privilegiado, mas fontes próximas de Motta negam o primeiro item. Sobre o segundo ponto, a aprovação é praticamente garantida, afinal também interessa a ala do Centrão enroscada no STF.
Motta foi eleito fazendo promessa para dois polos inconciliáveis. Não observou o preceito bíblico de que ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Agora, desafiado em público pelos bolsonaristas, recorre ao apoio dos governistas e de Lira para sentar na cadeira.
Toda celeuma deixa em suspenso o que deve ser, de fato, apreciado pela Câmara, que teve um primeiro semestre insosso. Ao mesmo tempo, o governo, envolto na peleja com os Estados Unidos, não tem força para impor sua agenda. Tudo leva a crer que será um semestre de muitos gritos e poucas realizações.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados


