A decisão de Hugo Motta de votar a agenda bolsonarista – abraçada pelo Centrão – conseguiu a proeza de tirar a esquerda do estado de inércia.
Há anos os partidos e movimentos sociais não conseguiam encher ruas e no domingo, em 27 capitais, eleitores de esquerda saíram de casa para rechaçar a PEC da Blindagem e as movimentações pela anistia a Jair Bolsonaro.
A mobilização de esquerda tinha liderança de artistas? Tinha, afinal a maioria deles se identifica com a pauta progressista. Se a direita conta com igrejas e grupos econômicos, a esquerda busca nos momentos cruciais o apoio das classes artísticas.
A esquerda conseguiu uma bandeira popular. O fato de empatar em número com as manifestações bolsonaristas passa a equilibrar o jogo, refletindo com mais precisão a polarização no país.
Agora, o Senado – onde já havia rejeição à PEC da Blindagem – tende a enterrar nos próximos dias a proposta vinda da Câmara.
Os protestos devem pressionar os deputados a deixar o texto da anistia ainda mais longe dos ideais bolsonaristas. Sem o ex-presidente na linha de frente das ruas, a direita pode perder o espaço que dominou nos últimos anos.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Bruno Spada, Câmara dos Deputados


