Em entrevista coletiva, o presidente da Câmara avisou que se o governo buscar o STF para fazer valer o decreto que aumentou o IOF, vai piorar o ambiente político na Casa, que já está majoritariamente disposta a derrubar a medida.
Hugo Motta sustentou que a Câmara “não faltou” ao governo e reforçou que está dando um tempo para o Executivo apresentar alternativas estruturantes e não “gambiarras”. Motta justificou que o objetivo do Congresso não é “tocar fogo no País”, por isso preferiu construir um diálogo com o governo.
Ele enfatizou que os deputados estão sim dispostos a derrubar o decreto do governo, mas vão aguardar até a segunda semana de junho. O deputado disse que é o momento de se atacar as políticas de isenções fiscais, que o Orçamento como está já não suporta mais tais benesses e o País está se tornando “ingovernável”.
A depender do que o governo apresentar de solução de compensação, a Câmara vai criar um Grupo de Trabalho para discutir as isenções vigentes.
Tempo calculado – Antes da reunião de líderes na manhã de ontem, Motta anuncia nas redes sociais que o governo terá 10 dias para apresentar uma alternativa ao aumento do IOF que seja duradoura, consistente e que “evite gambiarras tributárias” para aumentar a arrecadação, nas palavras do presidente da Câmara.
É justamente o tempo que Câmara e Senado não terão atividades legislativas por causa do Fórum Parlamentar do Brics. Servirá de “folga” para os ouvidos de Davi Alcolumbre e Motta, que passaram toda a semana sob pressão pesada.
Em reservado, nem os aliados mais fiéis do governo tinham argumentos para defender o decreto e demonstravam preocupação com as idas e vindas da equipe econômica.
O tema não vai esfriar no retorno aos trabalhos, já que a expectativa será de apresentação das soluções pela equipe econômica.
No final da última terça-feira, líderes da oposição tinham a percepção de que o requerimento de urgência do projeto que susta a medida do IOF não seria sequer pautado. No Centrão, não se previa votação do tema no curto prazo e a avaliação era de que só avançaria conforme o aumento da “temperatura política”. Se não oferecer uma proposta palatável nestes 10 dias, a chapa pode esquentar.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Marina Ramos, Câmara dos Deputados


