Irritado com a narrativa patrocinada pela esquerda, Hugo Motta levou a cabo a aprovação do PL Antifacções e passou por cima dos apelos do governo para adiar a votação.
Como havia se comprometido publicamente em votar o tema ontem, ignorou a reclamação de que Guilherme Derrite apresentou seis relatórios diferentes – um deles no início da sessão – e não atendeu a todas as demandas do Executivo. O relator também não desmentiu a versão de que se recusou a ir a reunião com ministros mais cedo para tratar do projeto.
A ordem de Lula à base foi votar contra o texto de Derrite integralmente, o que foi considerado um erro estratégico por líderes aliados porque dá a oposição o discurso de que o governo é contra endurecer punição aos criminosos.
No plenário, Derrite tratou de pontos do texto com governadores que estavam no plenário, como Ronaldo Caiado. Cláudio Castro, que anda em alta, também fez questão de fazer lobby. A oposição teve o amplo apoio do Centrão.
Já o governo manteve a crítica de que o texto reduz os recursos da Polícia Federal e distorce a ideia original do Executivo. Durante a sessão, Motta vetou destaques que alterassem a lei antiterrorismo, atrapalhando os planos da oposição de classificar as facções criminosas como terroristas.
O projeto deve ter tratamento especial no Senado, mas não está claro se haverá tramitação célere. Davi Alcolumbre já anunciou Alessandro Vieira como relator e fez questão de dizer que na Casa não haverá polarização em torno do tema porque estará nas mãos de um senador que é delegado – como fez questão de reforçar – e de perfil independente.
O governo avalia que terá mais chances de negociação no Senado, mas qualquer alteração fará o projeto voltar para a Câmara. Vetos podem ocorrer quando for à sanção e o Executivo terá de contar com o apoio dos senadores para mantê-los.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Sérgio Lima/Poder 360


