O governo Lula começou em 2023 com uma postura de desconfiança em relação a Arthur Lira. O então presidente da Câmara foi o primeiro chefe de Poder a reconhecer a vitória do petista, não ofereceu obstáculo para a votação da PEC da Transição, colaborou com a aprovação de temas importantes para o governo, mas impôs suas vontades.
Um dos exemplos disso foi a decisão de ignorar a edição de muitas MPs e exigir que o governo apresentasse projeto de lei para obrigar o início da tramitação na Câmara (sem comissão mista). Era mais fácil compor com Rodrigo Pacheco no Senado do que com Lira na Câmara, a ponto de Lula ceder cargos importantes no Executivo ao deputado (Caixa e Ministério do Esporte).
A partir de fevereiro deste ano, esperava-se uma relação mais confortável para o governo com a eleição de Hugo Motta à presidência da Câmara, justamente porque ele era visto como uma figura acessível, diplomática e parceira.
Motta ascendeu e Lira foi para os bastidores, movimentação que gerava preocupação da base aliada por entender que se o ex-presidente não fosse integrado ao governo (até com ministério só para ele), passaria fácil para a oposição.
Com a crise do IOF, o governo viu em Lira a ponte para influenciar Motta, o que empoderou o relator do principal projeto do ano de Lula (o PL 1087/25, da isenção do IR) e deu a ele credencial para mandar, publicamente, que os dois lados dessem “um passo para trás”. Como o Executivo não pode contar com o padrinho político de Motta (o senador Ciro Nogueira), Lira virou um canal confiável do Palácio do Planalto com o seu sucessor.
Em poucos meses, o deputado alagoano se transformou de aliado ocasional para “salvação da lavoura”.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados


