A decisão do PL de suspender o apoio a Ciro Gomes ao governo local é restrita à negociação do Ceará e não está vinculada aos demais acordos avalizados por Jair Bolsonaro. A medida sobre o Estado foi a saída encontrada após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expor publicamente a divergência e já está deixando um rastro de críticas dentro do partido.
Caciques da legenda apontam o erro de voltar atrás em uma estratégia de aliança capaz de derrotar o PT no Ceará. Há quem insista que Michelle, por sequer ter mandato, esteja extrapolando suas funções ao passar por cima de decisões prévias. “Ela pediu na segunda pra todos perdoamos o Alexandre de Moraes e ela não perdoa o Ciro pra gente ter a chance de fazer 1 senador?”, questionou um dirigente do PL. O candidato ao Senado pelo partido é Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes.
Tais divergências, que começam no clã Bolsonaro, tendem a fazer com que os demais partidos do Centrão repensem a aliança envolvendo a família.
Bolsonaristas influentes já começam a questionar abertamente a atuação de Michelle após o encarceramento de Bolsonaro.
Nas redes sociais circulam vídeos sugerindo que a ex-primeira-dama esteja “aproveitando” a situação e agindo à revelia dos enteados. O blogueiro Allan dos Santos disse recentemente que Michelle não se importa com Bolsonaro e que estaria “viajando pelo país como se o ex-presidente estivesse morto”.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Marcello Casal Jr., Agência Brasil


