in , , , , , , , , , ,

Haddad defende distensionar relação com o Congresso, mas com ação por IOF no STF

Em longa entrevista à Globonews na sexta-feira, o ministro da Fazenda pregou o distensionamento do ambiente político e a volta do clima de confiança entre Executivo e Legislativo. Fernando Haddad, no entanto, defendeu o recurso ao STF para rever a derrubada do decreto que aumentou o IOF, o que na prática não vai colaborar com a pacificação do ambiente.
Haddad colocou em dúvida os motivos listados até aqui para a reação hostil do Congresso, reafirmou que os vetos derrubados ao projeto das Eólicas Offshore vão encarecer a conta de luz e a necessidade de se rever os incentivos fiscais. Ele reconheceu fraudes em benefícios sociais e reforçou que são problemas que precisam ser corrigidos.
Da mesma forma que os congressistas afirmam que o governo não leva à sério a apresentação de um pacote de cortes de gastos, Haddad reclamou que está tentando discutir com os parlamentares as propostas de redução dos gastos primários, “mas o debate não está evoluindo” por resistências políticas – o que inclui também a base de esquerda do governo.
Enquanto o ministro falava para a TV, a Câmara anunciou que a pauta desta semana inclui a votação de um requerimento de urgência do projeto que corta benefícios fiscais (PLP 41/19, do senador Espiridião Amin).
O ministro também atribuiu, nas entrelinhas, que a indisposição com o governo estaria relacionada a antecipação de campanha eleitoral.
Se o ambiente político hoje não está colaborando para um desfecho harmônico das negociações, como disse o ministro, a partir de agora – com o protocolo pelo PSOL da ação no STF questionando a derrubada do IOF – a tensão vai subir um degrau.

Pior do que está fica – O governo tem como opção a judicialização da derrubada do decreto que aumentou o IOF, mas tem ciência dos riscos que corre. Pode até conseguir uma vitória no STF, mas o mero movimento de impetrar uma ação na Corte pode piorar, e muito, a relação com o Legislativo.
Na prática, o governo terá mais dificuldade em aprovar suas pautas faltando ainda um ano e meio para o fim do mandato de Lula.
O clima já é ruim no Parlamento e o PL 1087/25, que trata da isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, foi o primeiro a sofrer as consequências disso com o adiamento da apresentação do relatório.
Levar para a Justiça uma questão que é política pode interditar o que resta de diálogo com Davi Alcolumbre e Hugo Motta, que já estão de olho no perfil do novo Congresso de 2027 para seguirem nos postos que estão.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, disse na quarta-feira que a votação do IOF representava uma tentativa de inviabilizar o governo Lula. Agora, o governo vai precisar acalmar os ânimos e ter sangue frio para recompor as relações.

Equipe BAF – Direto de Brasília

Foto: Paulo Pinto, Agência Brasil

Aumenta o risco do novo Vale Gás emperrar dentro do governo

Mesmo com ato vazio, mensagem vai se propagar