O governo adotou uma medida, e estuda outra, para enfrentar o Congresso e, com isso, deve esticar ainda mais a corda das esgarçadas relações.
Foi protocolada ontem a ação que questiona a constitucionalidade do PDL aprovado pelos deputados e senadores contra o aumento do IOF. Além disso, o Planalto soltou informações de que Lula pode não sancionar o projeto que aumentou o número de deputados a partir de 2026.
Lula quer deixar claro que não está refém do Congresso e que tem como se contrapor ao emparedamento em andamento. O “nós contra eles” já foi sentido por Hugo Motta, que gravou um vídeo para criticar a estratégia.
Lula já percebeu que não terá apoio do Centrão em 2026 e que, até lá, tem que mostrar um diferencial com relação ao grupo. O “nós contra eles” pode ser a “marca” que faltava para o governo apresentar no ano que vem.
O problema é que, em algum momento, alguém terá que dar um passo atrás, sob risco de até as eleições nada mais andar. Quem será esse personagem ainda não está definido.
Panos quentes – O líder do governo na Câmara negou ontem que a ação do governo contra a derrubada do IOF tenha a intenção de confrontar o Congresso e sim preservar as atribuições do Executivo.
Ignorando as críticas em relação à judicialização, José Guimarães informou que comunicou Hugo Motta no dia anterior sobre o recurso, mas enfatizou que o problema é pontual, que o presidente da Câmara seguirá votando as propostas do governo. O governo também conversou com Arthur Lira, relator do PL do IR, que teria do dito que a votação da matéria não terá dificuldade.
Segundo Guimarães, as prioridades deste ano são as MPs do Setor Elétrico, dos Especialistas e do Ajuste Fiscal, PL do IR, PEC da Segurança, Licenciamento Ambiental e LDO.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil


