Os senadores sabiam exatamente o que faziam quando sepultaram de vez a PEC da Blindagem. Apesar de haver sinais de respaldo do Senado para a aprovação da matéria, a opinião pública pressionou os parlamentares de forma avassaladora e atender aos apelos do eleitorado era o único caminho para se livrarem da execração pública.
Como os argumentos favoráveis à PEC não se sustentavam, em situação inversa os deputados provavelmente não fariam diferente por uma questão de sobrevivência política. Nenhuma das Casas aprecia a ideia de sobrar de “vilã” enquanto a vizinha posa de “heroína”. Não foi a primeira, nem será a última vez que uma Casa vai barrar a iniciativa da outra.
Atrito, como o que aconteceu agora, tende a ficar para trás daqui um tempo, ainda que não necessariamente sejam esquecidos. Novos acontecimentos virão, podendo unir ou aprofundar as diferenças entre deputados e senadores.
Hugo Motta se vê pressionado pelo Centrão – que o elegeu – a dar resposta a Davi Alcolumbre, mas diferentemente do biênio anterior (quando Arthur Lira fazia valer sua vontade sobre Rodrigo Pacheco), hoje a força política está nas mãos do presidente do Senado. Travar uma briga prolongada com Alcolumbre não é o melhor caminho para um presidente da Câmara avaliado por seus próprios pares como fraco. Motta depende politicamente mais de Alcolumbre do que o contrário.
Hoje os interesses podem estar apartados, mas não vai demorar muito para que as conveniências os unam de novo.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Reprodução


