Em entrevista a O Globo, a ministra Gleisi Hoffmann fez críticas contidas à política de juros do Banco Central. Comparada a artilharia costumeira contra o ex-presidente Roberto Campos Neto, o tom da ministra da SRI foi de questionamento e não de ataque a Gabriel Galípolo. E tende a seguir assim.
Gleisi disse que realmente esperava que o BC agisse de outra forma, mas não chega a ser “decepção” com o desempenho de Galípolo.
A expectativa de que as críticas virão de mais partes do governo e do PT não chega sequer a ser assunto no Banco Central. Ontem, Nilton David, diretor de Política Monetária, deu o recado: a instituição não vai tomar decisão errada “por causa de ruído”, vai agir com serenidade e, se for necessário “algum movimento nos juros, vamos fazer sem hesitação”, seja corrigindo a Selic “para cima ou para baixo”.
Galípolo sabe que todo governo, em qualquer lugar do mundo, vai reclamar de taxa de juros alta. Assim como compreende que governo – ainda mais próximo das eleições – vai se posicionar sobre o tema para dar uma satisfação ao seu eleitorado.
A pressão é do jogo político e não deve abalar a relação entre o presidente do BC e o presidente da República. Tanto que, na semana passada, Galípolo estava na cerimônia de lançamento do novo modelo de crédito imobiliário, em São Paulo, com Lula.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Roque de Sá/Agência Senado


