Fadada até então ao esvaziamento, a CPMI do INSS ganhou novos contornos com a invertida da oposição para colocar os seus no comando dos trabalhos.
Ao subverter as indicações dos presidentes da Câmara e do Senado para eleger o senador Omar Aziz como presidente do colegiado e o deputado Ricardo Ayres como relator, a oposição corre agora o risco de encarar um novo desgaste com Davi Alcolumbre e Hugo Motta.
Não é costumeiro passar por cima das escolhas dos presidentes das Casas. As indicações sempre estão vinculadas à fidelidade dos parlamentares aos presidentes, é um posto que não abrem mão.
Agora, Carlos Viana na presidência e Alfredo Gaspar na relatoria ditarão os rumos dos trabalhos e seus compromissos estão vinculados aos interesses exclusivos da oposição.
Tiro certeiro – O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, fez mea-culpa na tarde de ontem pela derrota na CPMI do INSS e reconheceu que houve um “apagão” na coordenação da liderança. A ideia agora é brigar pela vice-presidência.
A manobra para assumir a presidência da comissão e a relatoria foi construída durante a madrugada e pegou a base governista de surpresa. O líder do PL, Sostenes Cavalcante, capitaneou o movimento para derrotar o governo, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, em suas palavras. A mobilização contou até com o apoio de parlamentares da base aliada.
Sostenes sugeriu o senador Carlos Viana para o comando da CPMI na noite anterior. Foi prometido a Viana seu retorno ao PL e sua reabilitação política para garantir a reeleição em Minas Gerais.
A ideia da oposição é aprovar, de cara, a convocação do irmão do presidente Lula, Frei Chico.
O clima ruim para o governo culminou com a retirada de pauta do Senado da PEC dos Precatórios.
Tropas de choque – A oposição aposta na possibilidade de atingir o governo Lula e indicou seus parlamentares mais aguerridos para integrar os trabalhos: os senadores Jorge Seif (PL/SC), Damares Alves (Republicanos/DF) e Tereza Cristina (PP/MS), os deputados Marcel van Hattem (Novo/RS) e Adriana Ventura (Novo/SP), além de uma lista de suplentes de peso, incluindo caciques como Ciro Nogueira (PP/PI) e Rogério Marinho (PL/RN). O senador Sergio Moro (União/PR) ficou de fora.
Já o governo também garantiu sua “tropa de choque”: os senadores Eduardo Braga (MDB/AM), Renan Calheiros (MDB/AL), Fabiano Contarato (PT/ES) e Rogério Carvalho (PT/SE). Entre os deputados governistas está o ex-ministro Paulo Pimenta (PT/RS). Nenhum deles conseguiu impedir a vitória retumbante da oposição.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Leonardo Sá, Agência Senado


