Os programas de governo de Lula e Flávio Bolsonaro colocam frente a frente duas visões distintas para o setor energético. De um lado, maior coordenação estatal, Petrobras fortalecida e transição energética induzida pelo poder público. Do outro, abertura ao capital privado, redução de subsídios e prioridade ao custo da energia.
No plano de Lula, energia aparece associada à soberania nacional e à neoindustrialização. A proposta mantém o Estado no centro do planejamento e reserva à Petrobras papel relevante tanto na expansão da produção de petróleo e gás quanto no refino, na distribuição de combustíveis e na transição energética. Conteúdo local, indústria naval e mecanismos para reduzir a exposição dos preços domésticos à volatilidade internacional completam essa estratégia.
Flávio Bolsonaro parte do sentido oposto. Seu programa privilegia competição, segurança jurídica e investimentos privados. No petróleo e gás, a prioridade está em ampliar infraestrutura, escoar o gás do pré-sal, aprofundar a abertura promovida pela Nova Lei do Gás e integrar a oferta do combustível à produção nacional de fertilizantes.
O ponto de maior contraste é a defesa explícita da exploração de gás não convencional por fracking. A diferença também aparece nas renováveis. Lula aposta na indução estatal para ampliar solar e eólica, desenvolver eólicas offshore e hidrogênio de baixa emissão.
Flávio pretende transformar a mesma matriz limpa em instrumento de atração de capital, especialmente de data centers e setores intensivos em energia. Ao mesmo tempo, propõe armazenamento por baterias e redução gradual dos subsídios às fontes incentivadas e da CDE, colocando a diminuição da tarifa como eixo da política elétrica.
Equipe BAF – Direto de Brasília
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