A votação que aprovou a recondução do PGR, Paulo Gonet, não deve mudar o plano do presidente Lula de indicar Jorge Messias para o STF.
Alguns fatores explicam a decisão: o AGU é um quadro raiz do PT (muito mais do que foi Dias Toffoli, o qual o mandatário hoje mantém um distanciamento) e teria ampla aprovação do partido; Lula já teria prometido sua indicação; e o presidente estaria se sentindo “chantageado” por senadores para forçar a indicação de Rodrigo Pacheco.
Há o sentimento entre os aliados de que Davi Alcolumbre, principal patrocinador do ex-presidente do Senado, já tem muito espaço no governo e estaria perfeitamente contemplado na Esplanada. Os aliados também dizem que a prerrogativa de indicação é do presidente e ele não abre mão de exercê-la.
No passado, Lula ouvia juristas e aliados sobre o melhor perfil para o cargo, mas isso não se repetiu nas últimas indicações e não deve se repetir. Fonte próxima do Palácio do Planalto diz que “se tem uma coisa que Lula aprendeu com Bolsonaro foi indicar ministro do Supremo”. Traduzindo: o critério será o de confiança e proximidade, alguém com quem ele possa “tomar tubaína”.
O placar da aprovação de Gonet tem mais relação com a condenação de Jair Bolsonaro do que com a rejeição a Messias, tanto que a oposição discursa abertamente que votou contra o PGR. Quem garantiu a aprovação sempre vota com o governo e não fazia objeção a Gonet, mas a própria base não quer o AGU.
Era esperado que o PGR fosse aprovado por um número apertado, já o atual AGU ainda precisa conquistar apoios – e sem a ajuda de Alcolumbre. Um aliado avalia que “voto se constrói” e que, no momento crucial, os senadores vão aceitar a escolha de Lula.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress


