Governo e cúpula do Congresso decidiram não anunciar as medidas que vão substituir o aumento do IOF para primeiro consultar os líderes da Câmara e do Senado. Os parlamentares serão ouvidos até a semana que vem, quando a equipe econômica deve formalizar as medidas que foram consensuadas.
O discurso do ministro Fernando Haddad é de que a decisão de conversar com os líderes antes do anúncio oficial cumpre um rito que lhe parece adequado para que as propostas tenham sustentabilidade nas Casas. Se esse rito fosse seguido dias atrás, não haveria o estresse que se seguiu com a publicação do decreto presidencial do IOF.
Os participantes do encontro com Lula destacaram que há acordo em relação ao “plano de ação” das medidas estruturantes, que as discussões aconteceram num clima de “maturidade política” e sintonia entre os dois Poderes.
Hugo Motta saiu dizendo que encontraram “um caminho de discussão mais abrangente” a partir de um rol de medidas apresentadas por Haddad. Já Davi Alcolumbre enfatizou a importância da ministra Gleisi Hoffmann nesta interlocução, elogiou a disposição do ministro da Fazenda para rediscutir o tema e definiu o episódio como “didático”. Após a reação do Congresso e o ultimato, agora o governo parece ter aprendido o rito das conversas na Praça dos Três Poderes.
Proposta do MME – O tom otimista de Haddad ontem, ao definir a conversa anterior com Hugo Motta e Davi Alcolumbre como “excelente”, sinalizou que governo e Congresso entraram em sintonia após o ruído do IOF.
Antes de se reunir com Lula, segundo Haddad, havia poucos pontos a serem definidos, mas ele evitou dar detalhes do que ficou pré-acertado. O caminho da pacificação após a crise do IOF tende a vir com uma PEC, um projeto de lei amplo e talvez uma MP, porém o martelo final será batido após conversa com os líderes partidários.
O ministro da Fazenda enfatizou que o desenho proposto é tecnicamente robusto e dá “estabilidade duradoura” e, pelo indicativo, podem ser propostas que já estavam na mesa antes.
Haddad também minimizou a possibilidade de uso de receitas extras com petróleo para aliviar as contas públicas: disse que metade dos R$ 35 bi já está comprometido com as contas para manter a meta fiscal deste ano e que a solução do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, não é a medida estrutural que o Congresso pede.
Se Silveira queria o título de “salvador das contas” do governo Lula, nesta manhã Haddad tratou de minimizar o esforço do colega de Esplanada.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Victor Correia/CB/DA.Press


