O governo Lula e o presidenciável Tarcísio de Freitas têm missões nos próximos dias: um precisa acertar a estratégia de negociação com os Estados Unidos para evitar a efetivação da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros em agosto e o outro precisa calibrar o discurso para agradar a bolsonaristas e moderados de direita sobre o episódio.
Buscando elevar seus índices de aprovação popular, o governo federal aposta na exploração do nacionalismo enquanto tenta organizar seu comitê interministerial que vai conversar com os setores afetados. Ainda há dúvidas sobre a estratégia do Itamaraty para fazer uma aproximação com o governo de Donald Trump, algo interditado desde a posse do norte-americano.
Já Tarcísio mudou seu posicionamento nos últimos dias: em reação às críticas sobre seu apoio ao trumpismo, reagiu à esquerda apontando responsabilidades do governo Lula, depois tentou fazer pontes com o governo dos EUA – algo que só cabe ao governo federal – e ainda fez movimentos junto ao STF para atender a Jair Bolsonaro, o que é infrutífero. Em todos os movimentos, agradou a um e desagradou a outro.
Entre os interesses da indústria e do agronegócio paulistas, o olhar atento do eleitorado moderado e se alinhar ao discurso bolsonarista, falta ainda uma estratégia precisa e complexa para Tarcísio, se é que é possível agradar a todos num ambiente polarizado e repleto de interesses diversos.
Lula também precisa se equilibrar entre reanimar seu antigo eleitorado e a ponderação que se exige numa negociação desta dimensão.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil


