Numa sessão que sequer teve requerimento para retirar o projeto da pauta, como costuma acontecer em qualquer matéria votada na Câmara, os deputados aprovaram o projeto de lei que dá isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil. Foram 493 votos e nenhum contra.
O relator, Arthur Lira, acatou cinco “singelas” sugestões de mudanças, num universo de 99 emendas apresentadas. O ex-presidente da Câmara conduziu as negociações com “mãos de ferro” e inadmitiu os destaques que sugeriam aumento da faixa de isenção alegando inadequação financeira.
Não houve espaço para a oposição, que acabou não avançando sobre a compensação proposta no texto de Lira – como se esperava – e aderiu ao discurso da “justiça tributária”.
A liderança de Lira deu segurança ao governo que, em nenhum momento, considerou ameaça real ao projeto. Não sobrou destaque a ser apreciado. “Ele é resolutivo”, resumiu um dos líderes do governo em plenário. A ministra Gleisi Hoffmann acompanhou a votação no plenário.
Ao final, os discursos de plenário foram uníssonos e nenhuma bancada orientou voto contra. Líder do PL, Sóstenes Cavalcante reconheceu que a tabela do IR não é corrigida desde 2014 e, numa tentativa de reduzir o ganho político do governo, alegou que Jair Bolsonaro foi impedido de propor a medida por causa da pandemia e que a proposta sempre foi uma bandeira da direita.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo


