O setor de energia nuclear busca se consolidar como fornecedor de energia para data centers, conforme previsto na MP 1318.
A estratégia combina a emenda articulada pelo senador Laércio Oliveira, que abre espaço regulatório e tributário para SMRs, e a “reforma do setor nuclear”, prometida por Alexandre Silveira (que pretende enquadrar a tecnologia em modelos público-privados e usar Angra 3 como vitrine para atrair capital privado).
O MME está trabalhando fortemente para vincular a agenda nuclear à narrativa de confiabilidade digital, reduzindo resistências da área econômica e neutralizando críticas das renováveis.
Nos bastidores tem sido vinculado que a EPE entregou estudo que embasa tecnicamente os SMRs como solução modular e limpa, reforçando a estratégia de Silveira de deslocar o debate de Angra para o atendimento da nova economia de dados.
A ofensiva enfrenta riscos: a emenda já tem sido vista como uma espécie de “jabuti premium” na MP, o que levaria o MME a priorizar atos infralegais e a reforma setorial; há pressão das renováveis contra a perda de protagonismo e dúvidas sobre a capacidade da ANSN de acelerar licenciamentos.
O cálculo político é simples: ancorar SMR no vocabulário de confiabilidade digital, onde o setor privado topa CAPEX, desde que haja previsibilidade de licenciamento (ANSN) e enquadramento fiscal. Daí a pressa do lobby em carimbar na MP 1318 com algum dispositivo que reconheça nuclear como “fontes limpas”.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Eletrobras


