Duas crises permearam a entrevista coletiva do presidente Lula nesta terça-feira: a do IOF e a do INSS.
Após meses sem esse tipo de conversa direta com a imprensa, Lula não se recusou a falar sobre os temas, minimizando de um lado o “afã” do ministro Fernando Haddad para dar uma resposta à compensação que não veio para bancar as desonerações e tratando de dizer que os descontos indevidos nas aposentadorias surgiram no governo anterior, que afrouxou as regras.
Sobre o IOF, Lula disse que é favorável à discussão antecipada das medidas com os congressistas antes de sua formalização (mas não orientou seu ministro a agir desta forma no caso), admitiu que não houve conversa prévia e explicou que Haddad queria agir rápido. Ele negou que tenha sido um erro de sua equipe e, segundo Lula, o ministro da Fazenda queria “tranquilizar a sociedade”. O efeito foi justamente o contrário.
Sobre o escândalo do INSS, o petista respondeu que as entidades que não comprovarem as autorizações de desconto não receberão e que elas serão punidas, “só os aposentados não podem ser punidos”. Ao mencionar a facilitação das regras para os descontos, Lula repetiu o mantra do atual governo de que a raiz do problema aconteceu na gestão de seu antecessor, mas omite que as propostas de afrouxamento das regras foram encampadas pelos partidos de esquerda e pelo Centrão em Medida Provisória de 2019.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão


