O colapso no fornecimento de energia em São Paulo agravou de forma significativa a posição da Enel junto à Aneel, justamente no momento mais sensível do processo regulatório que envolve o termo de intimação da distribuidora e o processo de renovação.
No mês passado, a agência decidiu adiar para março a deliberação sobre o processo que apura falhas recorrentes no atendimento em eventos climáticos extremos, por recomendação da diretora Agnes da Costa, que queria justamente avaliar como a empresa reagiria no período chuvoso atual. O receio que a Enel tinha com o adiamento desse processo que pode resultar na sua caducidade, agora se materializou: até as 10h da sexta-feira, quase 50 horas após o início das chuvas e vendavais, mais de 800 mil consumidores permaneciam sem energia.
A Aneel reagiu com dureza e, em ofício enviado no dia 9, cobrou explicações técnicas detalhadas, lembrando expressamente a possibilidade de recomendação de caducidade.
No campo político, o episódio elevou a tensão entre o governador Tarcísio de Freitas e o ministro Alexandre Silveira, que segue em silêncio, limitado a nota protocolar do MME.
Em Brasília, a avaliação é de que o governo federal terá de escolher entre a imagem de vendido para a Enel ou enfrentar de forma objetiva a incapacidade operacional da Enel. Fontes do ministério classificam o momento como de “tensão generalizada”, com um ponto claro: a Aneel não aceitará sair dessa situação como “culpada”.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Davi Rocha


