A incursão da Confederação Nacional da Indústria nos EUA para tentar abrir espaço de negociação com o governo de Donald Trump é o único caminho viável hoje para mitigar o tarifaço imposto às exportações brasileiras. Na avaliação do governo Lula, os empresários são os que podem ter mais chances de rever algumas tarifas, já que todas as portas diplomáticas oficiais foram fechadas.
A ação da CNI pode ser mais assertiva porque os empresários falam com suas contrapartes, que por sua vez podem fazer pressão sobre os parlamentares republicanos. Há um entendimento no governo Lula de que todos já entenderam que se trata de uma ação de cunho político – e os empresários brasileiros ouviram isso nesta semana da diplomacia norte-americana.
Não há perspectiva de diálogo direto entre Lula e Trump, uma vez que não há qualquer sinalização de que o governo norte-americano quer conversar. O receio do Itamaraty é que Lula sofra constrangimento e fique exposto, ou seja, as ações diplomáticas ficam restritas. O governo petista manterá a narrativa da defesa da soberania e da independência.
Do ponto de vista comercial, a estratégia brasileira agora é melhorar as relações com outros países. Lula conversou na sexta-feira com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre o avanço do acordo Mercosul-União Europeia a ser assinado no fim do ano. O acordo Mercosul-EFTA (composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) deve ser assinado na semana que vem.
Nos últimos dias, o Brasil também avançou nas conversas com México e Canadá. No próximo mês, o vice-presidente e titular do MDIC, Geraldo Alckmin, vai à Índia com a missão de estreitar as relações.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Divulgação/CNI


