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ONS: Excesso de geração é o novo normal do sistema

O domingo expôs uma distorção cada vez mais evidente na operação do sistema elétrico. Com carga reduzida e forte produção da geração distribuída, o ONS precisou acionar o Plano de Gestão de Excedentes na Rede de Distribuição, conforme noticiou o BAF, depois de já reduzir a geração das usinas sob seu controle.
Às 11h30, mesmo com uma carga de 71 GW, a geração eólica estava em apenas 1 GW, enquanto a solar produzia cerca de 35 GW — praticamente toda proveniente da GD. Naquele momento, a geração solar centralizada praticamente não encontrava espaço no sistema.
A lógica da operação começa a se inverter. Em vez de coordenar quais fontes devem gerar para atender à demanda ao menor custo, o ONS precisa decidir cada vez mais quem deve ser cortado para abrir espaço à geração que não controla diretamente. Eólicas e solares centralizadas, apesar de utilizarem a infraestrutura de transmissão construída para escoar sua produção, acabam entre as primeiras fontes sacrificadas diante do avanço da GD.
O paradoxo apareceu também nas interligações. Por volta das 11h40, o Nordeste exportava apenas 342 MW, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste importava 1,5 GW, o Norte 1,2 GW e o Sul praticamente nada. Justamente no momento em que o país produzia grande excedente renovável, parte relevante da capacidade de intercâmbio entre as regiões permanecia subutilizada.
O resultado é um sistema que investiu bilhões em geração e transmissão, mas que, nos momentos de maior abundância energética, precisa cortar produção para continuar funcionando com segurança. O acionamento do plano neste domingo é mais um sinal: o crescimento acelerado da GD está mudando a própria lógica de operação do sistema.

Equipe BAF – Direto de Brasília

Foto: Reprodução

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