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Um Tucano na Fazenda?

Como Geraldo Alckmin pode ajudar Lula na Economia e nos votos do Sudeste no 2° Turno?

Entre 1995 e 2006 o Brasil viveu seu maior período de ajuste econômico da Nova República. Primeiro com Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), depois com Lula no seu 1° Mandato (2003-2006).

FHC manteve por 8 anos Pedro Malan como seu Ministro da Fazenda. Foram 8 anos difíceis após o Planos Real de 1994. O Brasil precisava fazer um ajuste fiscal, garantir o pagamento da dívida externa, sanear o Sistema Financeiro Nacional, fazer uma modernização no Setor Público e parcerias com o Setor Privado. Foram 8 anos de várias crises internacionais que pressionavam o Real. (México, Rússia, Ásia) durante o 1° Mandato de FHC. No 2° mandato a crise cambial do início de janeiro de 1999 fez o Brasil adotar o câmbio flutuante, com um custo pesado, porém necessário na Taxa de Juros para salvar a Moeda. O 2° Mandato de FHC é marcado por um profundo ajuste fiscal, simbolizada pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), e por uma crise grave de energia em 2001 o conhecido “Apagão”. Mesmo com as dificuldades, FHC entregou um país melhor do que recebeu, e boa parte do Ótimo resultado se deve ao trabalho de Malan na Fazenda.

Lula era um Risco para muitos investidores em 2003. Era o favorito nas pesquisas e gerava um medo de retrocessos econômicos em sua gestão. Eleito sob muita desconfiança, colocou no Ministério da Fazenda Antônio Palocci, Ex Prefeito de Ribeirão Preto do PT e Médico de Formação. Palocci montou uma equipe extraordinária na Fazenda, reunindo os melhores nomes da Economia, vários deles que não haviam apoiado Lula em 2002. No Banco Central, Lula nomeou Henrique Meirelles, antigo CEO Global do BankBoston.

Lula rapidamente transformou o pessimismo do Mercado em uma excelente harmonização de Política Monetária e Fiscal, ao mesmo tempo continuou políticas socias do Governo FHC. FHC criou o Bolsa-Escola, o Bolsa-Alimentacão e o Vale-Gás, que com o Governo Lula foram unificados e renomeados de Bolsa Família.

Este período entre 1995 e 2006 foi sem dúvidas o melhor período de Política Econômica e Social do Brasil. O país conseguiu acabar com a Hiperinflação, acertar os marcos legais e Institucionais, sanear o Sistema Financeiro e fazer uma enorme inclusão social.

Nas décadas seguintes o Brasil andou para trás em alguns desses avanços, especialmente na década de 2010.

Voltando ao título do texto, “Um Tucano na Fazenda”. Geraldo Alckmin, hoje Vice-Presidente dá República foi Tucano do PSDB desde a formação do partido em 1988 até 2021 quando se filiou ao PSB, Lula ganhou a eleição em 2022 com um Frente Ampla que tinha o rosto de Geraldo Alckmin.

Em um momento de incertezas nacionais e internacionais, Alckmin poderia representar como Ministro da Fazenda uma volta ao diálogo respeitoso entre PSDB e PT, entre a Social-Democracia e o Liberalismo Econômico, entre a proteção social e o crescimento de longo prazo, e garantir uma responsabilidade fiscal e social.

Alckmin foi 4 vezes Governador de São Paulo, maior e mais importante Estado da Federação.

Caso Lula indique uma política econômica parecida com a que ele mesmo já faz no 1° Mandato, indicando um nome como Geraldo Alckmin para Fazenda, certamente Lula trará mais paz aos Mercados, mais estabilidade política e uma votação maior no Sudeste, como ele teve em 2022.

Marcelo Ramos, advogado, sócio fundadora da Eldorado Z Consultoria Estratégica Ltda. Foi deputado federal e vice-presidente da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional.

Rafael Pettinati Araujo atua na Vértice Investimentos AI. realizou estudos universitários em Administração Pública na Fundação Getulio Vargas (FGV) e em Direito no IBMEC.

Foto: Miguel Schincariol/AFP

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